BCP, Caixa Geral de Depósitos e Unicre participam no projeto piloto do euro digital
Banco de Portugal e três prestadores de serviços de pagamento estabelecidos no país participam no piloto do euro digital. Lançamento previsto para o segundo semestre de 2027, com duração de 12 meses.
O Banco Central Europeu (BCE), em colaboração com os bancos centrais nacionais (BCN) do Eurosistema, incluindo o Banco de Portugal, selecionou mais de 35 prestadores de serviços de pagamento (PSP) para participar no piloto do euro digital, dos quais três estabelecidos em Portugal.
Segundo a informação disponibilizada esta terça-feira pelo instituição liderada por Álvaro Santos Pereira, os PSP estabelecidos em Portugal selecionados são o Millennium BCP, a Caixa Geral de Depósitos e a Unicre.
As primeiras duas vão participar “quer como PSP distribuidores quer como PSP adquirentes, ou seja, darão acesso aos utilizadores a serviços do euro digital beta e prestarão serviços aos comerciantes selecionados, permitindo que estes recebam pagamentos em euro digital beta”. Já a Unicre participará enquanto PSP adquirente.
“No Millennium bcp acreditamos que a inovação deve estar ao serviço dos Clientes e contribuir para que estes tenham uma experiência bancária simples, de confiança e segura. É com esse propósito que estamos empenhados em contribuir para o sucesso de uma iniciativa em que acreditamos, um avanço que vai reforçar a coesão e a prosperidade da União Europeia”, frisa Miguel Maya.
Para o CEO do BCP, “trata-se de um projeto bem preparado, que vai ser bem testado nesta fase piloto por bancos supervisionados e selecionados pelo BCE, pelo que [acredita que] tem todas as condições para vir a ser mais um marco relevante no aperfeiçoamento do projeto europeu”.
Também a CGD sublinha que a participação neste projeto “representa o reconhecimento da capacidade do banco para contribuir ativamente para a inovação do setor financeiro, colocando ao serviço dos clientes e da economia portuguesa o conhecimento, a experiência e a escala da maior instituição financeira nacional”.
“Para a Caixa, a integração neste projeto-piloto reforça o seu compromisso com a transformação digital e com o desenvolvimento de soluções inovadoras que proporcionem uma melhor experiência aos clientes, contribuindo simultaneamente para a modernização do sistema financeiro nacional e europeu”, sublinha o banco público, em comunicado.
Os respetivos acordos de participação no piloto foram assinados entre o Banco de Portugal e cada uma das três instituições selecionados a 7 de julho, em Lisboa, na sede do Banco de Portugal, com Maria José Campos a representar o BCP, Luís Pereira Coutinho pela CGD, e João Baptista Leite e Fernando Nobre de Carvalho em nome da Unicre.
Em comunicado, o BdP salienta que o piloto do euro digital constitui uma “etapa fundamental” para testar a futura moeda digital do ponto de vista técnico e operacional e para avaliar a experiência dos utilizadores.
“Esta iniciativa visa apoiar os trabalhos preparatórios em curso para a emissão do euro digital, permitindo validar soluções e recolher contributos relevantes para o desenvolvimento do projeto”, refere. O lançamento está previsto para o segundo semestre de 2027, com uma duração de 12 meses.
O piloto envolverá colaboradores do BCE e de 19 BCN participantes, bem como comerciantes de comércio eletrónico e comerciantes que prestam serviços do dia-a-dia nas instalações do BCE e dos bancos centrais, por exemplo, cafetarias e cantinas.
Para este efeito, acrescenta na mesma nota, será utilizada uma versão beta do euro digital, semelhante, do ponto de vista funcional e técnico, à solução prevista na proposta legislativa atualmente em discussão pelos legisladores europeus, mas sem o estatuto de moeda com curso legal.
Também a Revolut viu o BCE confirmar a sua participação nesta fase-piloto do euro digital. Em comunicado, a empresa salienta que opera uma “infraestrutura tecnológica unificada em todos os 27 Estados-membros da UE” e expressa a sua satisfação por “apoiar o BCE e os bancos centrais nacionais no teste deste enquadramento dentro da fase-piloto designada, antes do lançamento do projeto na segunda metade de 2027”.
“A Revolut defende, desde há muito, que iniciativas do setor público como o Euro Digital servem como importantes vias públicas que complementam a inovação e os métodos de pagamento do setor privado, permitindo superar a fragmentação do mercado e reforçar a soberania financeira europeia”, acrescenta na mesma nota, em que refere que a sua participação vai estar focada estritamente na integração técnica, testes e avaliação operacional.
Fonte: ECO
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