Sindicato dos Jornalistas pede "averiguação exaustiva" sobre Relvas

A ser verdadeira a alegada ameaça a uma jornalista do "Público", o sindicato sugere ao Parlamento e à ERC que se questione "a que título e através de que meios teve o ministro conhecimento dos seus dados" pessoais.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) pediu hoje ao Parlamento e à ERC a respostas para dez questões concretas e uma "averiguação exaustiva" sobre o caso da alegada pressão do ministro Miguel Relvas a uma jornalista do "Público".

O SJ começa por querer saber se é verdade que o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares "contactou a editora de Política e eventualmente outros responsáveis editoriais do Público" com o objetivo de evitar a publicação de notícias a seu respeito, indicou através de um comunicado.

E insta os presidentes da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da Comissão parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação a apurarem se Miguel Relvas "ameaçou o jornal com um boicote informativo por parte (...) dos ministérios do atual Governo" e se essa ameaça é "compatível" com o exercício das funções de ministro com a tutela da Comunicação Social.

"É ou não verdade que o senhor ministro ameaçou tornar públicos, na Internet, dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira?", questiona também o SJ.

A ser verdadeira a alegada ameaça, o sindicato sugere que se questione "a que título e através de que meios teve o ministro conhecimento dos dados" pessoais da jornalista, que terá dito que publicaria. E ainda se além da jornalista em causa, "outros profissionais são objeto de recolha e tratamento de dados sobre as respetivas vidas privadas nos mesmos termos".

Finalmente, e sempre no pressuposto da verificação dos factos imputados pelo conselho de redação do "Público" a Miguel Relvas, o SJ pretende que a ERC e o Parlamento apurem "em que sítios na Internet e sob que forma seriam tais dados publicados" e se "tais sítios são propriedade do Estado ou privados".

O conselho de redação do "Público" afirmou na sexta-feira que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal diário e divulgar na Internet dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira a, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

Fonte: Expresso