Greve fecha escolas e paralisa serviços em vários pontos do país
A greve da Função Pública já fecha escolas e paralisa a recolha do lixo em vários municípios. É a primeira de uma sucessão de greves que vai atravessar outubro, com professores, trabalhadores da AIMA e não docentes a voltarem a parar nas próximas semanas, enquanto o Governo discute o Orçamento para 2027
A greve dos trabalhadores das carreiras gerais da Administração Pública já está a ter impacto esta sexta-feira. A paralisação começou à meia-noite e abrange mais de 350 mil trabalhadores da Administração Pública central, local e regional, entre técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais.
Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL), os serviços de recolha noturna da Moita, Palmela e Seixal estiveram encerrados. O sindicato aponta ainda para uma adesão de 99% em Évora, 78% na Amadora e em Almada e 50% nos Serviços Municipalizados de Setúbal.
Nas escolas, o impacto está a ser conhecido ao longo da manhã. O Liceu Pedro Nunes e a Escola Francisco Arruda são dois exemplos de estabelecimentos de ensino encerrados em Lisboa.
Segundo Joaquim Ribeiro, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) “as escolas de primeiro ciclo do Lisboa estarão todas encerradas e teremos certamente muitas escolas encerradas em Lisboa e milhares de escolas encerradas no país.”
À porta de uma dessas escolas de portas fechadas, em Alcântara, Cristina Torres do STAL, falou à SIC Notícias numa adesão entre os 70% e 100% nos distritos de Setúbal e Lisboa, mas admitiu que o sindicato ainda estava a recolher dados. Às 11h haverá uma concentração na Praça da Figueira, seguida de uma marcha até ao Ministério das Finanças, onde serão entregues as reivindicações , que têm a ver com a valorização de mais de 300 mil trabalhadores que, segundo Cristina Torres, foram "remetidos para três carreiras, a que chamam carreiras gerais", nomeadamente “os técnicos operacionais, os técnicos superiores e assitentes técnicos”.
"É preciso recuperá-los e dar dignidade às suas funções e às suas carreiras para com isso dignificar o serviço público e poder corresponder à necessidade das populações", concluiu.
A norte, 15 dos 18 agrupamentos de escolas de Gaia estão fechados. "Tal como já tínhamos perspetivado, o maior impacto da greve de hoje vai ser nas escolas, na educação", disse à Lusa Orlando Gonçalves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte. O responsável, sublinhou que “tirando os professores, o resto dos trabalhadores [das escolas] são todos de carreiras gerais” e que são estes trabalhadores "os que estão pior". "O Governo não reconhece a especificidade destes trabalhadores, há anos que estamos a tentar que isso seja reconhecido, não o temos conseguido, e, portanto, estamos a falar de pessoas que, mesmo no fim de alguns anos de serviço, ganham basicamente o salário mínimo", concluiu.
A greve deverá também afetar serviços de atendimento ao público, Segurança Social, registos e notariado e tribunais. O Sindicato Independente dos Enfermeiros juntou-se a esta greve, podendo por isso haver constragimentos nos hospitais e centros de saúde. Em declarações à RTP, Mário Rui, presidente do Sindicato Nacional dos trabalhadores dos Serviços e Entidades com Fins Públcios, afirmou que tinha “pedido ao governo a negociação sobre a alteração do acórdão para aceitação da carreira dos técnicos auxiliares de saúde, que hoje não estão contemplados naquele acórdão, assim como a revisão do SIADAP”, porque há muitos trabalhadores no Serviço Nacional de Saúde que "ainda não têm a avaliação do desempenho do biénio 2021/22“.
Outro dos motivos desta adesão é "a revolta contra o trabalho extraordinário e não pago”. Mário Rui garante que “existem trabalhadores com mais de 200 dias de trabalho executado e não pago”
A paralisação foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, pelo STAL e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa. Os sindicatos reivindicam uma valorização imediata das carreiras, o reconhecimento das especificidades das profissões e o início das negociações salariais sem esperar pelo próximo ano.
O Governo propõe aumentos salariais entre 2,3% e 6,5%, com uma fasquia mínima de 60,52 euros brutos mensais.
Outubro com novas greves
A greve desta sexta-feira é apenas o início de um calendário de paralisações que vai atravessar o mês.
A 6 de outubro, os professores iniciam uma greve ao sobretrabalho, às horas extraordinárias e à componente não letiva de estabelecimento, com a paralisação prevista até 9 de outubro. No mesmo dia, os trabalhadores da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) fazem uma greve de 24 horas.
A 19 de outubro, são os trabalhadores não docentes que voltam a colocar as escolas no centro da contestação. A paralisação inclui os auxiliares operacionais.
No final do mês, a 27 e 28 de outubro, está prevista uma greve dos trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social e das Misericórdias nos Açores.
A CGTP tem ainda marcada para 17 de outubro uma manifestação nacional em Lisboa.
A sucessão de protestos acontece enquanto o Governo prepara a discussão do Orçamento do Estado para 2027. O PS já anunciou que vai propor a abstenção na votação na generalidade, garantindo a viabilização do documento.
EasyJet também em greve
A greve dos tripulantes de cabine da easyJet começou esta sexta-feira e prolonga-se até terça-feira.
Segundo o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, estão cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro previstos para os cinco dias de paralisação, o equivalente a 88% dos voos previstos, segundo o sindicato.
A easyJet diz que prevê operar cerca de 55% da programação durante o período da greve, recorrendo também a aeronaves e tripulações de outras bases europeias.
A estabilidade das escalas, a progressão remuneratória em função da antiguidade e as condições propostas na negociação do Acordo de Empresa estão entre as reivindicações dos tripulantes.
Fonte: Expresso
Foto: Mário Cruz